terça-feira, 5 de abril de 2011

Tsunamis Orientais e seus Reflexos na Fotografia Mundial

As montadoras japonesas de câmeras terão de reavaliar as estratégias de abastecimento de peças ao redor do mundo, especialmente de componentes considerados críticos – aqueles que levam à interrupção da montagem, como sensores, processadores, pentes de memória, etc.
Como também da montagem de novas linhas de produção. O alerta se deve aos impactos provocados pelo terremoto, seguido de tsunami e crise no sistema de energia nuclear no Japão, que paralisou a produção de várias fábricas no país asiático e já resultou na suspensão das atividades de todo seu parque industrial.
O Japão estava preparado há décadas para terremoto, mas não para a falta de energia elétrica nesta escala. As fabricas estão fechadas. Sem funcionários, sem trens para escoamento até os portos. E nos portos, os navios são impedidos de embarcar. A Organização Mundial de Saúde acredita que a irradiação poderá contaminar outros pontos do planeta.



A situação é triste, o Japão hoje se encontra mais destruído do que a 65 anos atrás, com o fim da Segunda Guerra e com duas bombas atômicas para acelerar sua rendição.
Os importadores brasileiros de câmeras e acessórios, avisam que ainda têm estoque para os próximos 60 dias.
Não podemos negar que já  vimos este filme antes.
Na década de 60, em pleno milagre econômico, recebíamos em primeira mão os últimos lançamentos de câmeras, lentes, filtros, papéis fotográficos, fotoquímicos e outros insumos. Havia na rua Conselheiro Crispiniano, duas grandes lojas que atendiam profissionais de todo o Brasil: Primeiro, a Fotoptica, cujo sócio majoritário era Thomaz Farkas e depois a Cinótica, fundada pelo ex-funcionário e ex-sócio da Fotoptica, Alberto Arroio.
A demanda era muito grande. Havia lista de espera para comprar as ultimas novidades. Os preços, naquela época eram salgados, afinal de contas, fotografia sempre foi privilégio de poucos. Mas o mercado de prestação de serviços em fotografia embora  emergente e estava aquecido.
Tudo  estava ótimo, quando no início dos anos 70, começaram a vigorar a lei do “similar nacional”. Tudo aquilo que era fabricado no Brasil, não podia ser mais importado. A Kodak Brasileira, por exemplo, fabricava as Kodaks Instamatics,  outros fabricantes como a DF Vasconcellos, idem. Eram câmeras amadoras, de poucos recursos, com foco fixo, para fotografar em dias de sol. Algumas ainda tinham ajuste para dia nublado e uso de flash, cuja luz não chegava a dois metros.
Esta lei fez com que a  produção da fotografia brasileira voltasse ao estágio da pedra lascada. Tinha gente procurando no fundo de guarda roupas, baús e sapateiras, câmeras antigas dos avôs ou parentes mais velhos para poder ter alguma ferramenta para trabalhar. As que chegavam por contrabando custavam pequenas fortunas. Coisa arriscada naquela época, devido a ditadura militar. Mas a necessidade era grande, não havia outra maneira senão contrabandear. Os principais produtos eram: câmeras profissionais e caixas de whisky.
Em pouco tempo,  todos os equipamentos fotográficos, adquiridos no exterior, com taxas reduzidas,  no Brasil, passou a ser reserva de mercado.
Para quem não sabe, reserva de mercado é uma política governamental que impede legalmente o acesso e a importação de uma determinada classe de produtos e bens de consumo com vistas a uma pretensa proteção e desenvolvimento da indústria nacional e incremento da pesquisa científica interna.
O governo, daquela época, já havia criado, no final dos anos 60, a zona franca de Manaus, com o objetivo de estimular a industrialização da cidade e sua área adjacente, bem como ampliar seu mercado de trabalho. Trata-se de uma área de livre comércio, em que não são cobrados impostos de importação sobre os produtos comprados no exterior.
Além de contribuir para o desenvolvimento do comércio local, a isenção alfandegária favoreceu a formação de um expressivo distrito industrial junto à capital do Amazonas. A maioria de suas indústrias, contudo, é apenas montadora de produtos obtidos com tecnologia estrangeira.
Mas para a fotografia, a Zona Franca não ajudou muito.  Os japoneses implataram a  fabrica da Mamiya , que montava cameras profissionais formato 6 x 6 cm com dupla objetiva, as famosas C 330 similar a Rolleiflex. Em Sorocada, SP a Yashica montou frabrica de cameras reflex tradicionais, a Yashica FX-D . Estes modelos já haviam sido desativados na fábrica de origem.
A Fuji abria sua fabrica de filmes e quimicos em Caçapava, SP e a Kodak  também, em São jose dos Campos.
As intenções eram boas, mas aparentemente esta iniciativa acabara funcionando  apenas para o  latente mercado de informática.
Por outro lado, as fabricas brasileiras como Yashica e Mamyia fecharam no inicio dos anos 80, por falta de demanda de seus produtos. Parece que santo da casa não faz milagre.
Hoje, a maioria das  indústrias deixou de ser fábrica para ser montadora.  Já nos anos 80, as primeiras câmeras Leicas modelo R, analógicas, já não eram mais produzidas em solo alemão. As lentes eram fabricadas no Canadá, (que produzia o “balsamo do Canadá”) para colar as lentes enquanto que o corpo era produzido em Portugal, pois a mão de obra era mais barata.
Mas isto não é novidade para nós. Os carros da Mercedes Bens, produzidos nos Estados Unidos, utilizam motor da  Chrysler. Ou, ainda no Brasil, temos modelos de carros da Fiat utilizando motor GM.
Segundo o site www.dpreview.com os sensores utilizados pelas câmeras Nikon são fabricados pela Sony.
Em suma, os fabricantes hoje apenas desenvolvem o projeto, compram no mercado ou encomendam componentes e  contratam mão de obra e linha de produção de terceiros. Há caso de  excelentes fabricantes do passado que licenciam  seu nome, como a Zeiss, por exemplo. No passado, suas lentes eram excelentes, mas absurdamente caras. As lentes originais da Zeiss hoje ainda têm preço alto, mas há uma infinidade de outros fabricantes utilizando seu nome, como as câmeras compactas da Sony por exemplo. O mesmo ocorre com a marca Leica  em modelos de câmeras compactas da Panasonic. As câmeras Leica são famosas não apenas por ter sido a primeira câmera de 35 mm, lançada em 1920, pelo seu inventor Ernst Leitz.  Mas por ter sido a câmera utilizada pelos mestres da fotografia, como Cartier Bresson, Robert Capa, Ilse Bing e outros grandes fotógrafos contemporâneos.
Embora hoje  a economia esteja totalmente globalizada, o mercado com certeza será abalado com esta tragédia. O Japão conta com fabricas na China e nos tigres asiáticos,  mas as linhas de produção estão sem voz de comando. Os países do extremo oriente também sentiram o reflexo deste efeito geogólico. É como perder o general em uma batalha. Talvez tenhamos que regredir, como ocorreu nos anos 80, talvez não. Mas, até agora, não há nenhum comunicado oficial das grandes marcas, como Nikon, Canon ou Sony a respeito disso.
Os japoneses deverão encontrar outros pontos para montar suas novas linhas de produção.  Eles são muito bons para promoverem fusões. Um exemplo na área da fotografia foi a Sony que incorporou outras duas multinacionais, Minolta e Konika. Há quem aposte nos Estados Unidos, outros no Brasil, já que nosso país recebeu muito elogios durante a visita de Barak Obama, já com alguns acordos de parceria já firmados.
Outros afirmam que a visita de Obama é para garantir a participação no pré-sal, já que Hugo Chaves fechou suas portas para os Estados Unidos, além do interesse norte americano na tecnologia dos bio-combustíveis.
Hoje o homem tem uma variável a mais para se preocupar, além da economia, da política e das guerras: o cuidado com o próprio eco sistema de nosso planeta. Quando ele falha, todos nós pagamos as contas. Todos nós retrocedemos, todos nós voltamos a ser trogloditas.


terça-feira, 22 de março de 2011

Fotometria + Flash – parte 9 de 9 – Conclusões

No dia primeiro de novembro de 2003 tomei uma decisão, a de vender meus flashes tradicionais de estúdio e investir dali em diante somente em flashes dedicados TTL.

Essa decisão ocorreu por conta da fotografia que ilustra este artigo, que produzi com uma modesta câmera compacta Canon Powershot G2 de apenas 4 megapixels e 3 flashes da mesma marca, um deles comandando os outros dois. O que comandava estava ligado por um cabo TTL à câmera, e comandava os outros dois por infravermelho.


 
foto da taça com a tinta vermelha jorrando em sua direção foi obtida depois de alguns testes para iluminação e algumas tentativas até obter o efeito desejado, tudo feito em um quintal para não sujar o estúdio com tinta.
Naquele momento percebi que se era possível fazer uma foto complexa como um splash, de forma totalmente independente da rede elétrica pois os flashes funcionam com pilhas, longe de um ambiente ideal de um estúdio, afinal foi feito em um quintal, sem cabos pendurados por todos os lados gerando acidentes e tombos, se era possível com uma estrutura tão simples de câmera e flashes produzir essa foto, então ao meu ver era desnecessário ter um estúdio comum.
Isso foi em 2003, outros tiveram idéias semelhantes na mesma época e de forma geral éramos taxados como loucos pelos nossos colegas de profissão, imagine só, substituir as potentes e confiáveis tochas de estúdio por essas pequeninas unidades movidas a pilha.
Deu certo, anos depois virou moda, hoje já existe bibliografia a respeito, sites e blogs falando em como iluminar com flashes dedicados TTL.
É lógico que existem diferenças entre os sistemas de luz tradicional e dedicado TTL, um flash tradicional ainda é mais potente e muitas vezes mais barato que uma unidade dedicada topo de linha, no entanto a versatilidade e a portabilidade do sistema fizeram com que a cada ano mais e mais fotógrafos decidissem trabalhar dessa forma.
Um dos desafios de trabalhar com flashes dedicados é a complexidade, você é obrigado a estudar e desvendar o funcionamento do sistema de medição de sua câmera para descobrir como os flashes irão se comportar e aprender a dominar os desvios, o sistema tradicional é muito mais estável, uma vez regulada a potência nada mais muda, já o TTL é um sistema flutuante, que reage o tempo todo ao que está na frente da câmera, e por isso é muito mais desafiador, o fotógrafo tem que ter atenção 100% do tempo para prever os erros do sistema e contorná-los.
Se você é como eu e gosta de desafios, gosta de trabalhar de forma 100% concentrada e buscando o máximo da precisão de resultados para ficar o mínimo de tempo corrigindo fotos no computador, então esse é seu caminho.Lembre-se dos tópicos vistos nesta série de artigos:
- fotometria em sistema TTL é reativa, ela sempre busca um resultado mediano obrigando o fotógrafo a corrigir sempre que o sistema tenta transformar claros e escuros em cinzas;
- o flash TTL é igualmente reativo, ele muda o tempo todo conforme o que está à sua frente refletindo luz tornando necessário um uso atento da compensação de exposição do flash;
- a boa fotometria leva ao bom desempenho do flash, com economia de energia, tempo e trabalho;
- a latitude de exposição nunca pode ser ignorada e a amplitude tonal deve sempre ser mensurada;
- o flash tem por natureza uma luz dura, direcional, se você não quer isso use técnicas como a do rebatimento de flash em superfícies próximas (tetos, paredes e rebatedores), e o que é bom é que o sistema TTL continua funcionando mesmo quando apontamos o flash para qualquer outro lugar;
Se você chegou até aqui depois dos outros 8 artigos, deve estar cheio de dúvidas, idéias e pensamentos, fica a dica final: vá fotografar e treinar tudo que leu, não há aprendizado sem prática, então saia da frente desse computador e vá fotografar!
 
 

Por: Armando Vernaglia Jr

quarta-feira, 16 de março de 2011

Fotometria + Flash – parte 8 de 9 – Flash como luz principal

No artigo anterior tratamos do flash como luz de preenchimento, se unindo à luz do ambiente para criar um efeito homogêneo, agora trataremos da primeira situação que havia sido descrita para a necessidade do flash – veja as três situações no sexto artigo desta série – , quando o local é tão escuro que o flash será luz principal, não há regulagem de diafragma obturador e ISO que torne possível a foto sem o flash.

Outra maneira de entender essa situação é a de existência da luz, mas que de alguma maneira, por decisão do fotógrafo, essa luz tenha que ser anulada para que só reste a luz do flash, isso é a terceira situação descrita, o uso do flash quando sua estética e forma de iluminar são desejadas em detrimento de qualquer outra iluminação que haja no lugar. Assim sendo, tanto a primeira quanto a terceira situações fazem do flash a luz principal.

Se não há luz, iremos decidir nosso tempo de obturador de forma a ter o tempo mais longo possível antes de prejudicarmos a imagem com tremidos, o diafragma mais aberto possível antes que tenhamos problemas com profundidade de campo muito estreita e o ISO mais alto possível antes que tenhamos ruído demais. Essas três medidas são tomadas para poder aproveitar ao máximo o pouco de luz ambiente que haja no local e também aproveitar da melhor forma possível a potência do flash, afinal quanto mais luz a câmera puder receber usando regulagens mais abertas, menor será a carga necessária ao flash para iluminar a cena.

Nas modernas câmeras digitais é possível trabalhar com tranquilidade em ISO 800 sem grandes problemas de ruído, enquanto diafragmas da ordem de f4 ou f5.6 e obturadores da ordem de 1/40s ou 1/60s costumam ser suficientes para tomar fotografias sem a necessidade de apoio de um tripé ou monopé, e sem que a profundidade de campo seja muito prejudicada.

Outra coisa que o fotógrafo pode fazer se possível é usar lentes grande angulares pois assim terá menos problemas com profundidade de campo mesmo em aberturas como f2.8.

Tendo feito os ajustes possíveis, a cada foto feita o sistema TTL irá disparar o pré flash, calcular o retorno de luz recebido e então calcular a força final do disparo do flash para cada fotografia.

Sob o ponto de vista da câmera, as regulagens nela colocadas estão subexpondo a cena, na verdade há pouquíssima luz mas ela não entende corretamente isso, então ela irá disparar o flash com força suficiente para que o registro final tenha uma tonalidade mediana.

Aqui entra novamente a compensação de exposição do flash para controlar o processo. Se à frente da câmera tivermos objetos escuros, digamos uma festa noturna na qual todos estão vestidos de preto, o reflexo captado pela câmera será pouco e esta tenderá a disparar o flash com força demais – lembrem-se de que a câmera sempre tenta clarear os escuros e escurecer os claros – , prevendo isso o fotógrafo pode ajustar a compensação de exposição para menos e evitar o disparo com força excessiva.

Por outro lado, numa festa na qual todas as pessoas estejam de branco, assim como as paredes do lugar sejam brancas, a câmera tende a receber um reflexo forte e imaginar que pode disparar o flash com menos força do que o ideal, prevendo isso o fotógrafo pode compensar previamente para mais e garantir o registro dos brancos como são, e não como cinzentos que é o que a câmera faria por conta própria. Cada fotógrafo deve fazer testes com seu equipamento para descobrir o quanto sua câmera gera de desvios em fotometria e assim criar um dicionário mental sobre o quanto deve ser corrigido em cada situação.

Essa lógica pode ser aplicada mesmo em situações nas quais haja luz suficiente para fotografias, mas que o fotógrafo opte por ignorá-la completamente, a citada terceira situação para uso do flash que mencionei no início deste artigo.

Imagine que o fotógrafo está em um ambiente no qual exista luz, mas que ele queira ignorá-la e só ter registrada a luz de flash. Neste caso é necessário medir a luz ambiente através dos processos já vistos de fotometria, vamos imaginar um caso hipotético no qual o fotógrafo encontre as seguintes regulagens que possibilitariam a fotografia com luz ambiente: f4, 1/30s, ISO 800.

Caso ele faça uma foto com essas regulagens e acrescente o flash, este será luz de preenchimento pois já existe luz no ambiente sendo aproveitada na foto. Por outro lado, sabemos que a latitude de exposição da câmera impões limites e que se formos fechando nossas regulagens, cedo ou tarde teremos preto total, sem registro da luz ambiente.

Se temos que a latitude de exposição é tipicamente de 3 pontos para mais e 3 pontos para menos em relação ao tom médio, podemos imaginar que ao fechar 4 pontos, ou seja, a latitude mais um, teremos que a luz do ambiente ou não será registra, ou será muito pouca, os tons médios ficarão pretos ou quase pretos, o que nos levaria a seguinte regulagem f4, 1/60s e ISO100.

Como o que foi dito e feito acima, temos certeza de que algo que era de tom médio na medição da luz ambiente agora sairá bem escuro ou não mais aparecerá na foto, mas há a chance de que informações que eram mais claras que o médio continuem aparecendo, ainda que escuras. Aí vale lembrar novamente da latitude de exposição, em conjunto com a amplitude tonal. Ao medir a parte mais clara da cena que era iluminada pela luz ambiente saberemos quantos pontos mais clara que o médio será esse ponto da cena, e teremos que subtrair também esses pontos para ter certeza que essa informação também fique preta e não saia na imagem.

Se no nosso exemplo hipotético a alta luz aparecesse três pontos mais clara que o médio, ainda temos 3 pontos para tirar da exposição e assim ter certeza que tudo sumiu. Chegaremos então em f8, 1/125s e ISO 100. Neste momento, dentro da situação de nosso exemplo, nenhuma luz ambiente está sendo registrada e só sobrará a luz do flash.

O sistema TTL se encarregará de iluminar com o flash a ponto de obter o registro mediano, e com a compensação de exposição fazemos os ajustes. Veja o exemplo seguinte:



Esta foto foi feita em um mini estúdio que montei na sala de minha casa, que estava com janelas abertas, portanto havia luz no ambiente.

O primeiro passo foi verificar quanto de luz ambiente existia, para tanto utilizei um fotômetro de mão, mas poderia ter feito com o fotômetro TTL da câmera apontando para uma superfície de tonalidade mediana.

A medição que obtive foi de 0,5s (meio segundo, 1/2s), com diafragma f11 e ISO 200. A abertura f11 foi selecionada pelo tanto de profundidade de campo que eu queria na fotografia. A partir daí, eu precisava ajustar meu tempo de obturador até que não registrasse nada da luz ambiente.

Minha experiência sobre latitude de exposição – veja o quinto artigo desta série para mais dados sobre latitude de exposição – diz que devo fechar pelo menos 4 pontos para que os tons médios estejam muito escuros ou pretos, com 5 pontos há certeza de que qualquer tom médio sairá preto, ou seja, não será registrado na foto, e se você tiver qualquer receio ou quiser realmente ter certeza de que ficará preto, basta fechar 6 pontos, não há tom médio que sobreviva a isso. Como sempre quero ter muita certeza de sumir com a luz ambiente e só deixar a luz do flash quando trabalho em estúdio, procedi ao ajuste levando meu obturador a 1/125s (6 pontos mais fechado que a luz ambiente).

Não havia grande necessidade de verificar amplitude tonal checando as partes mais claras da cena neste caso, pois se houvesse registro de altas luzes elas iriam interferir só no fundo branco (que deve ser branco mesmo) e nos reflexos nos produtos, que também deveriam ser um pouco estourados que era como eu imaginei a fotografia e como o cliente havia aprovado, então caso houvesse algum registro ali, não seria problema. Pelo sim ou pelo não, e como sou preciosista, acabei fechando mais um pouco e fiz a foto com 1/200s, f11 e ISO 200, mas confesso que não havia necessidade de ter fechado mais esses 2/3 de ponto.

Tudo o que foi dito pode parecer um pouco complexo, mas ficará tanto mais simples quanto mais você treinar a avaliação de amplitude tonal das cenas que você fotografa, o que foi feito nada mais é do que ir subexpondo a luz ambiente até que ela desaparecesse, e pois é adicionado o flash. O histograma é fundamental aqui, pois ele irá lhe ajudar para ver se ainda há informação visível ou se tudo definitivamente fechou e sumiu da foto.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fotometria + Flash – parte 7 de 9 – Flash como luz de preenchimento

Muito já falamos nesta série de artigos sobre a fotometria e sobre o funcionamento do sistema TTL, tanto para fotometria como para o funcionamento do flash. É chegado o momento de unir os dois assuntos, fotometria e flash, para compreendermos alguns aspectos importantes.

Se você está lembrado, no artigo anterior mencionei três momentos distintos para o uso do flash dedicado, são eles (de forma resumida):

    * Usar toda vez que a luz local não for suficiente para a realização da foto;
    * Usar sempre que a luz existente for suficiente mas gerar defeitos contornáveis pelo flash;
    * Usar sempre que a estética da luz do flash for um efeito desejado.

Vamos imaginar a segunda situação, na qual há luz suficiente para a foto, mas de qualquer forma o flash é desejável, seja para acrescentar um brilho, clarear um pouco um primeiro plano ou corrigir uma sombra indesejável.

Neste caso, o fotógrafo primeiro obtém a fotometria, independente do flash. Ele buscará algo de tonalidade média que esteja sob a mesma luz do que irá fotografar, ou decidirá que alguma parte da cena será média – como visto no quinto artigo desta série – e assim terá sua fotometria base para fazer a foto, depois ele irá medir a amplitude tonal para verificar se a mesma é compatível com a latitude de exposição de sua câmera.

Com os dados em mãos o fotógrafo já poderá fazer uma fotografia sem flash, para verificar se todas as suas decisões estão corretas. Essa verificação será feita observando o histograma – veja o quarto artigo desta série, sobre histograma – . Se encontrar erros, irá rever suas decisões, corrigir e fazer nova foto. Estando tudo certo, é hora de pensar no flash.

Que fique claro que se há luz suficiente, primeiro o fotógrafo deve analisar e medir a mesma para depois adicionar o flash pois como foi dito anteriormente, se temos luz abundante para trabalhar, o flash não será luz principal e sim luz de preenchimento, ou simplesmente para dar um efeito como um pequeno brilho nos olhos da pessoa fotografada.

Tendo cumprido corretamente com a fotometria, a foto tomada sem flash deverá estar perfeita em termos de exposição. Basta agora ligar o flash e deixar que o TTL cuide de sua potência. Se assim for é fácil imaginar que a adição da luz do flash possa causar uma leve sobre exposição da imagem, afinal foi colocada mais uma luz onde já havia quantidade suficiente de luz.

Nessas horas entra em ação a compensação de exposição do flash que é o controle da “força” do disparo, o controle da potência do flash dentro do sistema TTL. Ao compensar o flash para + (mais), ele dispara mais forte, ao compensar para – (menos) ele dispara mais fraco. E pelo que foi descrito acima, quase sempre, quando temos luz suficiente no ambiente, a compensação do flash será para menos, reduzindo sua força.

Com esse procedimento, economizamos bastante energia, fazendo com que um jogo de pilhas/baterias dure muitas horas de trabalho pois cada disparo é feito com pouca força, sempre como preenchimento, além disso disparos de rápidas sequências de fotos com flash são possíveis pois o flash nunca fica sem carga.

Dica especial: Gosto de, após chegar na fotometria ideal da cena, fechar entre 1/3 e 2/3 de ponto sobre o resultado encontrado, reduzindo levemente a luz do ambiente (uma ligeira subexposição do ambiente), assim a adição do flash – geralmente compensado para -1 até -2 conforme a situação – não irá resultar em sobre exposição e faz com que a luz do flash destaque um pouco mais o que estiver em primeiro plano na fotografia.

Alguns alunos meus que atuam no mercado de casamentos e outros eventos sociais já testaram essa técnica e gostaram bastante do resultado, se você testar me diga o que achou.


A foto que ilustra este artigo, de um saboroso drink feito com café, foi feita utilizando essa técnica. Primeiramente avaliei a luz ambiente e obtive uma fotometria para ela. O resultado obtido foi de 1/80s, f2 e ISO 200.

Optei por expor a foto com 1/125s, mantendo o f2 (pela curta profundidade de campo que eu desejava) e ISO 200, com isso a luz do ambiente ficou um pouco mais escura (2/3 de ponto), criando um clima mais aconchegante para o local e também permitindo que ao adicionar o flash, que foi disparado à esquerda do drink (flash fora da câmera), o fato do primeiro plano ficar um pouco mais claro daria todo o destaque para o drink. Você pode utilizar essa mesma idéia em outras situações, como retratos nos quais você usa essa metodologia para destacar a pessoa sobre o cenário que estiver atrás dela.

Nessa técnica fica difícil dizer qual é a luz principal e qual é a de preenchimento, pois ao reduzir o ambiente você dá mais peso e importância à iluminação que fizer com o flash, por outro lado, a luz do ambiente ainda está lá, visível, presente e criando o clima necessário. Seja como for, a divisão entre luz principal/luz secundária é mais para fins didáticos, para deixar claras as decisões do fotógrafo e espero que todos vocês que estão lendo meus artigos tenham essa consciência enquanto fotografam.

Esta é a forma de trabalhar o flash como luz de preenchimento, obter a fotometria, expor para a luz do ambiente e deixar o flash apenas como complemento, no artigo seguinte falaremos do flash como luz principal.

Nos vemos em breve.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fotometria + Flash – parte 6 de 9 – Flash TTL

Agora que falamos bastante do sistema TTL de medição, dos limites da câmera em termos de latitude de exposição e das características da cena com a amplitude tonal – veja os artigos anteriores desta série para essas informações, especialmente os artigos 2, 4 e 5 – , é hora de acrescentar uma luz sobre tudo isso, ou melhor, ligar o flash.

Há duas formas principais de se utilizar um flash dedicado – por flash dedicado entenda-se um que seja da mesma marca do fabricante de sua câmera, ou que seja totalmente compatível com a mesma – a primeira é em modo TTL e a segunda em modo manual.

Não trataremos o modo manual nesta série de artigos pois penso ser possível obter a mesma qualidade de imagem em modo TTL e com bem menos complexidade, tornando assim essa técnica preferível.

No modo manual o fotógrafo determina a potência de disparo do flash e para isso ele deverá fazer uso de cálculos de potência e distância que são complexos para dominar e mais ainda de colocar em prática no dia a dia fotográfico, especialmente se o fotógrafo utilizar mais do que um flash nas fotos que fizer.

Em TTL o cálculo de potência será feito pela câmera utilizando seus sistema interno de medição, mesmo que sejam usados diversos flashes ao mesmo tempo, sendo assim bem mais prático pois dispensará o tempo gasto com contas, dispensará o uso de um fotômetro de mão e será absolutamente preciso, desde que o fotógrafo se dedique a estudar e treinar o suficiente.



A foto do espumante sendo derramando na taça que ilustra este trecho por exemplo, mesmo sendo uma imagem complexa de um produto sobre fundo branco, utilizando iluminação em contra luz com dois flashes, foi feita inteiramente em TTL, nenhum cálculo foi necessário e também não foi feito uso do fotômetro de mão.

Assim como foi dito antes, o sistema TTL erra sua medição de luz sempre que o objeto ou cena fotografados fugir a um padrão mediano previsto pela câmera, é fácil prever que o controle da potência do flash também sofrerá erros toda vez que a situação não esteja dentro do que a câmera pode lidar. Mas se podemos corrigir os erros de fotometria da câmera, também temos como fazer isso sobre o disparo do flash.

Algo importante deve ser dito, se o fotógrafo fotometrou direito, o flash tende a sair quase certo, ou até mesmo certo. A boa fotometria faz com que o flash dedicado funcione muito bem em TTL e necessite apenas de pequenos ajustes ou correções para ficar perfeito, por outro lado, se fotometrar errado o flash em TTL sairá sempre errado.

Antes de falarmos de forma aprofundada em como tirar vantagem do sistema TTL, é preciso ter em mente características inerentes à luz do flash, e com as quais devemos lidar:

    * O flash é um dispositivo pequeno que emite grande intensidade de luz;
    * Como toda fonte de luz de tamanho pequeno, apresenta luz dura (sombras delineadas);
    * Necessita de acessórios ou truques para ter luz suave (sombras difusas).

É importante lembrar dessas características, não adianta reclamar que uma foto com flash ficou com sombra delineada atrás do objeto fotografado pois é assim que a luz do flash é se não for feito nada para modificá-la.

Para melhorar a estética da luz do flash podemos pensar em alterar sua posição, utilizando o flash fora da câmera, o que pode ser feito com diversos tipos de transmissão com ou sem fios. Também podemos rebater a luz do flash em outras superfícies como tetos e paredes, e podemos utilizar acessórios que mudem as características da luz, como rebatedores, difusores, concentradores de luz, colmeias etc. Veremos isso adiante com as vantagens e desvantagens de cada uma dessas escolhas.

Antes disso tudo é importante decidirmos quando é ou não a hora de usar o flash, e considero válida a separação de três situações:

    * Usar toda vez que a luz local não for suficiente para a realização da foto. O lugar é tão escuro que precisa ser iluminado com o flash e este será portanto sua luz principal;
    * Usar sempre que a luz existente for suficiente mas gerar defeitos contornáveis pelo flash, como a luz do sol ao meio dia, que embora abundante, gera sombras da sobrancelha das pessoas sobre seus olhos. O flash poderá ser utilizado para preenchimento de sombras. Aqui ele é luz auxiliar, para corrigir defeitos da luz principal;
    * Usar sempre que a estética da luz do flash for um efeito desejado, momentos em que sombras delineadas e luz de frente para as pessoas ou objetos seja desejável ou que as possibilidades criativas do uso do flash sejam mais interessantes do que as oferecidas pela luz existente.

Voltando ao sistema TTL, de forma geral ele é calculado com o disparo de um pré flash antes do disparo final, nós quase nunca vemos esse disparo, ele é muito rápido e ocorre numa fração de segundo antes da fotografia de fato ser tomada pela câmera. O flash é disparado numa fração de sua potência, o reflexo desse disparo prévio é medido pela câmera com o sistema TTL que então determina a força necessária ao disparo final.

Além do reflexo da luz que é captado e medido, sendo essa a essência do sistema TTL, muitas câmeras levam em conta a distância entre o objeto fotografado e a câmera. Com isso é possível para o equipamento tomar conclusões sobre a tonalidade ou reflexão do objeto fotografado. Já que objetos opacos e de tonalidade média tem sua reflexão previsível, se a câmera captar um reflexo maior ou menor do que o previsto, é possível para o equipamento em algum grau compreender que o que está diante de suas lentes é algo mais claro ou mais reflexivo, ou mais escuro ou pouco reflexivo, e assim a câmera adapta a força de disparo do flash às várias situações possíveis.

Há variações de metodologia e forma de cálculo entre os diversos fabricantes, mas em essência o sistema TTL funciona como descrito. Concluímos então por entender que existem dois momentos e dois cálculos realizados pela câmera e seu sistema TTL, o primeiro é a fotometria, na qual o reflexo de luz emitido pelos objetos é medido e para uma exposição mediana desse objeto será mostrado ao fotógrafo uma combinação de abertura e tempo adequadas. O segundo momento é o flash, caso esteja sendo utilizado, a câmera emitirá o pré flash, o calculará com base no reflexo recebido, e assim determinará a força de disparo do mesmo.

A câmera sempre busca o resultado de tonalidade média – ver o segundo artigo desta série para maiores detalhes – , assim, se o fotógrafo estiver utilizando ajustes de abertura e tempo que na interpretação da câmera estejam escuros, subexpostos, seja por que o fotógrafo decidiu subexpor propositalmente, seja por real falta de iluminação no ambiente, o TTL tentará compensar com o flash e dispará-lo mais forte a ponto de obter a iluminação mediana da cena. Por outro lado, se o fotógrafo optar por ajustes que a câmera considere sobre exposição, seja por que o fotógrafo optou por uma foto clara ou por que o objeto à sua frente é de fato claro – como o velho exemplo da noiva – e ele compensou a exposição para isso, a câmera acabará por disparar o flash de forma mais fraca para evitar o exagero de luz que ela detectou tanto na fotometria como no pré flash do sistema TTL.

O sistema TTL é conservador, ou seja, sempre busca o resultado médio. A idéia é ter certeza que o fotógrafo volte para casa com a foto, mesmo que não ideal. Para que o fotógrafo se aproxime de voltar para casa com a foto ideal e assim não tenha que ficar corrigindo no computador, é que são feitos os ajustes de exposição para corrigir a fotometria – vistos no segundo artigo desta série – e os ajustes de compensação de exposição de flash, vistos nos próximos dois artigos.

No próximo tópico trataremos das possíveis mudanças do processo de fotometria quando utilizamos o flash, as compensações de exposição de flash e considerações sobre quando o flash for usado como luz de preenchimento e como luz principal.

Nos vemos em breve, até lá.